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Ucrânia anuncia fim do tratado de amizade com a Rússia

17 Sep, 2018

O Presidente da Ucrânia assinou, esta segunda-feira, um decreto pelo qual a Ucrânia comunicará oficialmente à Rússia a intenção de terminar com o tratado de amizade e cooperação bilateral. A notícia foi interpretada na capital russa como um “sinal destrutivo”.

De acordo com o site da presidência, o ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia informará a Rússia até 30 de setembro sobre a decisão de não prolongar o tratado, que, caso contrário, seria prorrogado automaticamente.

O ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano também vai apresentar ao Presidente Petro Poroshenko um projeto-lei sobre a denúncia do acordo, assinado em 1997, que em Moscovo está a ser interpretado como um passo para uma eventual rutura das relações bilaterais. De acordo com o artigo 40.º do tratado, este acordo seria prolongado automaticamente em cada dez anos caso as partes não o denunciassem seis meses antes do final do prazo estipulado.

Kiev deverá também comunicar à ONU, Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) e outras instituições internacionais a sua recusa em prolongar o tratado com Moscovo.

Moscovo reagiu quase de imediato para lamentar “profundamente” os planos de Kiev, definidos como um “passo destrutivo”. “Com o objetivo de servir interesses geopolíticos estranhos e ambições políticas próprias, as autoridades ucranianas estão dispostas a destruir com facilidade o que foi construído durante décadas, em romper laços que durante séculos forjaram várias gerações dos nossos antepassados”, declarou a diplomacia russa em comunicado. A nota acrescenta que, segundo os termos do tratado, e após a receção da notificação oficial da Ucrânia, este deixará de ser válido em 1 de abril de 2019.

Em paralelo, sete polícias ficaram feridos esta segunda-feira em Kiev durante confrontos com nacionalistas e formações de extrema-direita que protestavam contra a extradição para a Rússia de um presumível membro do grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico (EI), que segundo os seus apoiantes combate os rebeldes separatistas no leste do país. Dezenas de militantes de diversos movimentos de extrema-direita manifestaram-se frente à sede da procuradoria geral, no centro de Kiev, contra a expulsão na semana passada de Timour Toumgoïev, natural da Inguchétia, uma república do Cáucaso russo, referiu a agência noticiosa France-Presse (AFP). Os confrontos eclodiram quando os manifestantes lançaram pedras em direção ao edifício e incendiaram um contentor de lixo.

Desde 2014 que decorre um conflito armado no leste da Ucrânia que opõe forças governamentais e milícias ultranacionalistas aos separatistas pró-russos, com um balanço de 10 mil mortos e dezenas de milhares de deslocados. Kiev e o ocidente acusam a Rússia de fornecer apoio financeiro e militar aos separatistas, mas que Moscovo sempre desmentiu.17259984_770x433_acf_cropped.jpg

Estados Unidos aprovam venda de mísseis antitanque para Ucrânia

12 Apr, 2018

s Estados Unidos aprovaram formalmente a venda de mísseis antitanque Javelin ao governo da Ucrânia, informou nesta quinta-feira (1º) o Departamento de Estado, em um gesto que deverá despertar a ira da Rússia.

De acordo com as informações, a autorização outorgada à agência americana de Cooperação em Segurança e Defesa (DSCA, em inglês) compreende 210 mísseis e 37 lançadores, totalizando cerca de US$ 47 milhões.

Funcionários do Departamento americano da Defesa e empresas contratadas serão responsáveis pelo transporte de armas e treinamento das forças ucranianas, que enfrentam grupos armados apoiados pela Rússia.

De acordo com uma declaração emitida pelo Departamento de Estado, "o sistema Javelin" ajudará os ucranianos a construírem sua capacidade de longo prazo para defender sua soberania e integridade territorial".

Estados Unidos e países ocidentais apoiam a Ucrânia em seus esforços pela reunificação do país depois que a Rússia anexou a região da Crimeia.

Entretanto, Washington até agora tem sido cauteloso em fornecer armamento ao governo de Kiev para evitar uma degradação ainda mais acentuada nas relações com Moscou.

Segundo a DSCA, a venda dos mísseis Javelin "não altera o equilíbrio militar básico na região".

Se o Congresso não colocar objeções à transação, os fabricantes Raytheon e Lockheed Martin poderão começar as entregas dos mísseis em um período de dois meses.

Fonte: g1misseis+turcos2.jpg

Linha Esperança: Migração, Cultura e Formação.

29 Jan, 2018
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Linha Esperança: Migração, Cultura e Formação.
Por: Renato Ternovski - Resumo
* enfoque geográfico.
A Localidade de Linha Esperança está situada no Município de Prudentópolis, Região Centro-Sul do Estado do Paraná, a qual esta no segundo Planalto Paranaense.
Os primeiros imigrantes ucranianos que chegaram à atual Linha Esperança encontraram uma paisagem natural com matas virgens repletas de araucárias centenárias e animais que eles nunca tiveram contato. Mas essa primeira visão da paisagem, hoje dificilmente encontrada, não era a "terra prometida" e logo nos primeiros dias eles começaram a modificar essa paisagem natural.
Começaram a derrubar as matas pra construir suas casas e abrir estradas que facilitassem o fluxo dos imigrantes em todas as direções do município. À medida que a abertura de estradas avançava os imigrantes que já estavam estabelecidos começaram a preparar o terreno para plantar a primeira safra. Outros vendo o fluxo cada vez maior de pessoas passando pela comunidade logo montaram casas de comércio e enriqueceram transformando a localidade em um importante centro já que ali se tornou a única passagem das pessoas que pretendiam ir da cidade para as frentes de abertura de estradas que não paravam de avançar ao norte.
Logo a comunidade centralizou muitas das funções como escola, igreja, comércio, que poderiam ser encontradas somente na cidade. Nos primeiros anos da formação, a comunidade prosperou tanto que até surgiram boatos de que ali estava se formando uma nova cidade, até mais de meio século depois a comunidade ainda era a única que tinha igreja, escola e comerciantes bem sucedidos.
Aos poucos, os imigrantes, compravam animais como o cavalo e vaca e passavam a destinar parte das terras a esses animais. Surgia o potreiro que representou o surgimento de uma paisagem peculiar chamado faxinal, criadouro comunitário de animais, que hoje ainda é encontrado em várias comunidades da região. Outra grande marca na paisagem construída pelos moradores da comunidade na metade do século passado foi o projeto ambicioso da atual Igreja, do Colégio das Irmãs, do cemitério e da escola que recentemente foi ampliada. Também ainda existem casas antigas, ricas em detalhes lembrando as construções de casas dos povos eslavos do final do século XIX.
Os imigrantes que se estabeleceram nessa região trouxeram consigo tradições milenares que existiam antes do cristianismo tornar-se religião oficial do povo ucraniano. Após a adesão ao cristianismo essas tradições foram adaptadas ao calendário da Igreja Católica e as tradições do cristianismo.
A aceitação da cultura já existente pela Igreja possibilitou que o cristianismo prosperasse e fosse aceito pelo povo que manteve traços da cultura pagã (anterior ao cristianismo). Além da riquíssima cultura os imigrantes trouxeram técnicas de trabalho na agricultura, na construção de casas, igrejas e outras técnicas que possibilitaram a modificação da paisagem principalmente na região Centro Sul do Paraná.
Os fenômenos migratórios são fatos sociais totais, isto é, relacionam-se com fatores sócio-econômicos, culturais, político-institucionais e assim por diante. É correto afirmar que no caso da imigração ucraniana a condição socioeconômica foi determinante para que camponeses viajassem milhares de quilômetros para um novo continente. Eles buscavam uma melhor qualidade de vida, terras para a agricultura, e um novo lugar para recomeçar.
No século XIX a Europa passava por graves conflitos e agitações que sacudiam o continente, tinham uma grande população e havia falta de terras para cultivo. Época em que a decadência do sistema escravista era inevitável no continente americano, havendo necessidade de trabalhadores livres para a lavoura, foi quando vários povos, entre eles os eslavos (denominação dada aos povos do Leste Europeu), migraram para o Brasil. A maioria dos imigrantes ucranianos se estabeleceu nos Estados do Paraná e Santa Catarina.
O governo brasileiro foi um dos principais responsáveis pela entrada de imigrantes no país através de um programa de colonização que cobria todos os custos de alimentação e passagem desde os portos europeus até as áreas de colonização, confiando às companhias de navegação o recrutamento de imigrantes. As companhias recebiam dinheiro por cada imigrante. Houve duas grandes correntes imigratórias principais de ucranianos para o Brasil.
A primeira está relacionada até a época em que o governo brasileiro cobria os custos das passagens. Nesse período cerca de cinco mil famílias de ucranianos abandonaram a sua terra natal. A segunda corrente refere-se à renovação deste acordo entre as empresas de recrutamento e o governo brasileiro do transporte gratuito em 1907. Deste período até a Primeira Guerra Mundial, emigraram outras cinco mil famílias, na maioria (90%) fixaram-se no Paraná. Além disso, mais de mil famílias ucranianas emigraram às próprias custas nos anos de 1897 a 1907.
Quando os imigrantes chegavam aos portos brasileiros, eram enviados para lugares pré-estabelecidos no caso dos ucranianos, foram enviados para a Região Centro Sul do Paraná, onde Prudentópolis recebeu o maior contingente.
Os primeiros anos do povo ucraniano em Prudentópolis não foram nada fáceis, porque eles vinham na ilusão de que no Brasil tudo era fácil. Isso porque a propaganda feita pelos agentes era na maioria das vezes, uma propaganda enganosa. Iludidos, os imigrantes quando aqui chegavam, se deparavam com uma realidade bem diferente da que era descrita pelos agentes de imigração, porque quando chegavam aqui no município eles ficavam primeiro em barracas no centro da vila para depois serem encaminhados para os seus respectivos lotes.
A Galícia (Ucrânia Oriental), nos tempos da imigração estava sob o poder austro-húngaro (de 1772 a 1918) e era uma de suas maiores províncias. Possuía uma área com cerca de 5,1milhões de hectares, sendo que 3,1 milhões de hectares eram áreas agrícolas e de pastagens e quase dois milhões de hectares de florestas. Em 1890 a população da Galícia era de 4 milhões e 300 mil habitantes, destes, 65 % eram ucranianos, 15 % poloneses, 12 % judeus, 7 % austro-alemães, principalmente colonos e o restante 1 % eram outros povos.
A população brasileira daquele período era de 14,5 milhões de habitantes, o Paraná, com mais de 200 mil km2, (quase quatro vezes a área da Galícia) tinha apenas 250 mil habitantes. Já a Galícia era a região agrícola mais densamente povoada de toda a Europa, onde de cada 100 alqueires de terra explorável na agricultura viviam mais de 100 agricultores. Os ucranianos eram os maiores atingidos por essa super população, pois cerca de 92% dos ucranianos dedicavam-se à agricultura, ou seja, a grande maioria vivia em condições de miséria e também porque a região era carente de terras.
Sendo assim, não restava alternativa que não fosse à emigração de seu povo, que no início foi para os Estados Unidos da América, e em 1891, para o Canadá e para o Brasil. Outro problema em relação à Galícia, era a má distribuição das terras, isso porque a maioria do país, ou cerca de 65% eram ucranianos que possuíam apenas 48% de todo o território, outros 30% pertenciam aos latifundiários da nobreza polonesa e os 22 % restantes eram de agricultores poloneses.
Em média, uma família de agricultores ucranianos vivia de 2,6 hectares de terra. Com isso faltavam terras e melhores condições de vida para as famílias, principalmente nas áreas rurais.
Na época da imigração o Município de Prudentópolis pertencia ao Município de Guarapuava. A região entre o Rio dos Patos e a Serra da Esperança foi ganhando importância quando houve a necessidade de construir a linha telegráfica e uma estrada de rodagem para facilitar o fluxo de pessoas, principalmente imigrantes europeus.
Um dos pioneiros que contribuiu na formação do Município foi Firmo Mendes de Queiroz, filho de bandeirantes paulistas, morador de Guarapuava que no ano de 1883 adquiriu uma parte do registro de terras de S. João do Rio Claro e estabeleceu-se com sua família à beira de um riacho sem nome, hoje Rio Caxim e ali deu início a uma pequena povoação instalando a primeira casa comercial, que também servia de abrigo pra viajantes que se dirigiam a Guarapuava ou Curitiba, e a primeira capela, a de São João Batista.
O primeiro nome do povoado que começava a se formar foi São João do Rio Claro, nome dado à vasta região ao longo de rio São João que desce da Escarpa da Esperança e desemboca no Rio dos Patos. Mais tarde a vila passou a se chamar São João de Capanema, em homenagem ao Barão de Capanema que visitava a construção da linha telegráfica. Foi nesse período que chegaram os primeiros imigrantes ucranianos. Em 1894 o povoado passou a se chamar Prudentópolis para homenagear o Presidente da República que era Dr. Prudente de Morais. Mas é só a partir de 1895 que o povoado recebe um grande contingente de imigrantes ucranianos e poloneses os quais desbravaram as matas virgens e colonizaram a região.
Eram cerca de 8000 mil pessoas divididas em 1500 famílias. Com a prosperidade do povoado e o desenvolvimento contínuo foi criado em 1906 o Município de Prudentópolis, através da Lei nº 615 de 05 de março de 1906, desmembrando-se de Guarapuava, sendo formado basicamente por imigrantes que se estabeleceram na região. Em 12 de agosto do mesmo ano deu-se a instalação do município. Em 31 de dezembro de 1956 o município foi dividido em três distritos: Prudentópolis, Jaciaba e Patos Velhos. No dia 16 de abril de 1896 chegaram às carroças de Henrique Kremmer, trazendo levas de imigrantes ucranianos e poloneses encaminhados para a vila pelo serviço imigratório do Paraná.
Quando chegaram ao município, foram acomodados em barracas provisórios, para depois seguirem em direção aos seus lotes, sendo que esses lotes foram agrupados em linhas e divididos em chácaras de 10 a 12 alqueires, para que ocorresse uma divisão igual entre os imigrantes, o que possibilitava a prática de atividades, tais como a agricultura, pecuária, extração de madeira, erva mate e o estabelecimento de sua propriedade. Desde a chegada dos imigrantes até hoje o município possui como base econômica os recursos naturais que são explorados e a agricultura.
A economia do município foi passando por diferentes ciclos, o primeiro ciclo econômico importante foi o ciclo da erva-mate. No fim do século XIX e as primeiras décadas do século XX a colheita de erva mate era a principal atividade econômica do município. Em virtude dos excelentes preços e das grandes safras nos anos de 1927 a 1929, denominou-se esse período de ouro verde. Outra fase importante na economia foi o ciclo da indústria madeireira. O extrativismo da madeira tomou grande impulso no final da década de 1940 com a instalação de várias serrarias além de algumas fábricas de pasta e laminadoras. Nas últimas décadas não houve grandes mudanças na base econômica do município que é basicamente o cultivo de feijão e milho na zona rural e a indústria de cerâmica na zona urbana.
O município possui um grande potencial turístico com lindas paisagens naturais, cachoeiras, pousadas e recantos além da cultura exótica da região, mas os investimentos públicos e privados ainda não são suficientes para explorar estes recursos economicamente. A comunidade em estudo foi colonizada por imigrantes ucranianos e hoje é considerada um dos centros educacionais, religiosos e culturais do município. A preservação dos costumes ucranianos na localidade é referência nacional também conhecida internacionalmente.
A localidade chamada Esperança fica a 14 km de Prudentópolis e o nome foi dado ao local devido a Escarpa da Esperança, que passa uns 20 quilômetros de distância. Devido à planície que separa a localidade da Escarpa da Esperança a distância não parecia tão grande, e por isso alguns viajantes que se estabeleceram no local, chamaram-na de Esperança. Quando os imigrantes se instalaram no local ao invés de pronunciar Esperança, diziam "Spiranga", devido a uma leitura do "ç", não existente na língua ucraniana, o "g", para um estrangeiro eslavo, era o mais semelhante ao "ç".
Não há notícias de quais foram os pioneiros da localidade e quais as famílias de imigrantes que foram as primeiras a se estabelecer na atual Linha Esperança. Sabe-se que no ano de 1899, portanto três anos depois da chegada das primeiras famílias ucranianas a Prudentópolis, viviam ao longo das linhas muitas famílias e surgiu uma pequena povoação, chamada de Esperança, situada à beira dum riacho, entre as linhas de Ivaí, Sete de Setembro, Santos Andrade, Paraná e Xavier.
Encontramos nesse ano na localidade as seguintes famílias que foram inscritas no livro dos membros do Apostolado de Oração, fundado em 1899: Antonio Pankevycz, João Sliozowskyj, Voitko Mormulh, Miguel Zubek e outros, ainda existe a relação de sobrenomes de outras famílias, sem os nomes do chefe da família: Veres, Cissakovskyj, Turkevytch, Krusnytskyj, Ochotskyj, Skotnitsky.
Portanto, estas foram às primeiras famílias de imigrantes ucranianos que ocuparam a Linha da Esperança. Poderiam existir ainda outras que não se inscreveram no livro dos membros do apostolado de oração e alguns moradores locais que se estabeleceram naquela área com a chegada dos ucranianos. A paisagem se constrói a partir das relações entre os seres humanos e a Natureza, ao longo do tempo, pois embasada na paisagem natural a cultura se desenvolve, ou seja, no caso de Linha Esperança os imigrantes ucranianos que ali se estabeleceram já possuíam uma cultura que foi construída no decorrer do tempo na parte Oriental da Europa, mais precisamente na Galícia.
Ao chegarem à região logo começaram modificar a paisagem natural buscando reproduzir uma paisagem parecida com a qual conheciam. No entanto, alguns perceberam que poderiam explorar a paisagem de outra forma como a extração de erva-mate e corte de madeira como as araucárias assimilando novas técnicas de trabalho. Essas mudanças são comuns em todas as culturas já que os indivíduos buscam o conforto e a sobrevivência.
Devido à sua posição central no meio de outros povoados, como Linhas Capanema, Eduardo Chaves, S. João, Ivaí, Sete de Setembro, Santos Andrade, Paraná, a localidade logo começou a se tornar um pequeno centro do interior com certa importância e a ela deu-se mais destaque, especialmente na organização da vida religiosa pelos missionários que chegaram dois anos depois do início da imigração. Uma certa importância e localização central da colônia levou as Irmãs Servas de Maria Imaculada a se estabelecerem naquele povoado no ano de 1922.
No entanto, os imigrantes ucranianos ao mesmo tempo que assimilavam novas técnicas de trabalho buscaram preservar outros aspectos culturais típicos de seu povo. Sabe-se que a cultura é formada por diversos aspectos sejam eles materiais ou abstratos. Em Linha Esperança os documentos existentes sobre a formação da localidade trazem a figura dos missionários, sejam padres ou irmãs, como sendo os principais agentes na construção de símbolos e preservação da cultura na sua forma visível ou abstrata. No entanto, os documentos existentes foram escritos pelos próprios missionários. Sabendo que a religião é fundamental na cultura dos indivíduos e grupos sociais.
Ainda antes do ano de 1900 o Pe. Silvestre Kyzyma comprou na Esperança o lote 21, onde residia Pedro Korpan e registrou-o em seu nome no dia 15 de abril de 1901. A partir desse momento a construção da paisagem cultural em Linha Esperança começa a ganhar símbolos materiais que vão dar identidade e significado para os moradores. "A identidade é construída a partir da interiorização de uma tradição, são afinidades que são estabelecidas transmitindo às pessoas que as vivenciam sentimento de pertencer a determinados grupos sociais". A construção da Igreja foi um dos marcos mais significativos na modelação da paisagem.
O início da construção da primeira igreja não demorou e teve a colaboração do povo tanto em dinheiro como em mão de obra. A obra da primeira igreja demorou seis anos e se estendeu até o ano de 1906, quando o sacerdote Silvestre Kyzema consagrou o cemitério e a igreja.
A igreja e a comunidade da Linha Esperança desde o início foi dedicado a Nossa Senhora do Patrocínio (Pokróv Bójoii Máteri). Em pouco tempo a primeira igreja ficou pequena demais para receber os fiéis. No ano de 1921 foi anexada ao corpo da igreja a sacristia para deixar mais espaço ao povo, porém sentiu-se logo a necessidade de um espaço maior.
No ano de 1943, o superior provincial dos padres basilianos, Pe. José Martenetz, deu início à obra da nova igreja. As obras da fundação foram iniciadas aos 10 de novembro de 1946, e o término da construção da estrutura e das paredes ocorreu no ano de 1954. A sua inauguração solene e bênção foi oficiada por Sua Excelência Dom José Romão Martenetz no dia 8 de dezembro de 1959 que oficiou a missa solene pontifical e o rito da dedicação do altar e bênção do novo templo.
O projeto da igreja é da autoria do engenheiro Rafael Kuliski, o qual se inspirou num projeto que foi preparado por um arquiteto de origem ucraniana dos Estados Unidos para Buenos Aires na Argentina. Como para a comunidade de Buenos Aires não foi possível assumir os gastos que o projeto previa, este foi cedida a Esperança. Tem a forma de uma cruz, com 30 m de altura, 28 m de comprimento (32 m com o vestíbulo) e 22 m de largura.
A paisagem como sendo intimamente ligada à cultura e à idéia de que as formas visíveis são representações de discursos e pensamentos". Nesse contexto as Igrejas ucranianas que possuem uma arquitetura peculiar, fazem com que os indivíduos descendentes de ucranianos reconheçam esses símbolos onde encontrarem. Já os não descendentes gostam de visitar as Igrejas ucranianas pela sua beleza. Aqui encontramos a diferença entre conhecer os símbolos da paisagem e apreciar a paisagem com seus símbolos. No primeiro caso o indivíduo tem uma afetividade e uma percepção interiorizada do símbolo, já no segundo caso o individuo enxerga apenas as formas visíveis e pode classificar como bonitas feias ou interessantes.
A organização da vida social em Linha Esperança teve um grande avanço com a formação da Congregação Mariana. Esta organização foi fundada em Prudentópolis no ano de 1929, onde se inscreveram 54 jovens rapazes e 200 meninas. No mesmo ano surge a Congregação Mariana na Esperança no dia 1 de outubro, dia da padroeira da igreja, foram inscritos 27 moços e 62 meninas. O primeiro presidente do grupo dos moços foi Pedro Zubyk e das meninas Anastásia Dylówska. A Cruzada Eucarística e o apostolado de oração, formas de organização social para as crianças e adultos foi introduzida mais tarde, apenas em 1948 em Prudentópolis, e passou para as colônias... Resumo dos escritos de: Renato Ternovski em seu estudo com enfoque na geografia local.